Certamente há um pássaro azul, como aquele de Bukowski, escondido entre cada dança ou sorriso tragado pelos centavos suados conseguidos dos visitantes das margens da Ilha de Amarante (PI). As franjas do Rio Canindé escondem os passos arrastados dos antigos moradores daquela região misteriosa. Um grito contido ainda ecoa na vastidão do precipício. A bela paisagem não aquieta os corações atentos que ainda clamam por liberdade. Os grilhões mudaram somente a nomenclatura, fundindo o embuste na alma do povo herdeiro do quilombo. O orgulho da raça e da terra foi arrebatado com ouro de tolo; o caráter foi sobrepujado pelo banzo. Mas a cultura subjugada ensaia seus rompantes de alforria, encravando sua marca na história amarantina, nos traços dos rostos, no dialeto ritmado, ou no movimento dos corpos embalados pelas melodias africanizadas. Amarante, inteira, ensaia os passos de um "pagode" que infunde uma nova marcha, antecipando a vitória sobre o engessamento da mente.
Quilombo do Mimbó
Um gesto inconsciente do Seu José enfatizando os segredos do Mimbó.
P.S.: Visita guiada pelo grande amigo Danilo Costa: o novo colaborador deste blog!



Aqui a poesia tragamos, sedentos ficamos quando não sentimos o cheirinho do berço de onde saímos. Minha mãezinha de olhos rasos aqui estou, minha carne é doída más, meu amor é vívido e te grita. Deixa-me por sorte, a mão nos teus cabelos passar, suave como o vento que sinto agora e assim, renovar minha vida e perder o meu medo da morte. De braços abertos ´´ nesse vale das lágrimas`` de muitos, te chamo não só, como também ao pensar em ti, dou minha ínfime ajuda que desce nos matos para manter os príncipes regatos canidé e mimbó.
ResponderExcluirDan Costa
Que belo amiga Ana Cândida. Sua sensibilidade e seu olhar registram e ao mesmo tempo enriquecem ainda mais a cultura e a história desse povo, do nosso povo. Aprovadíssimo com louvor. PARABÉNS.