12 de fevereiro de 2010

Amarante


Por Ana Candida Nunes Carvalho

A cidade se ergue, sorrateira, num suspiro de progresso, desmembrando sonhos e promessas proféticas no encalço dos caminhos guiados pelas curvas do Velho Monge. Os olhos tentam capturar a alma que atravessa as paredes resistentes às intempéries, como um escultor tentando, em vão, imitar a vitalidade que exala da geografia humana.

Amarante nos envolve, sublime, com sua espessa neblina matutina, e se transforma, inteira, em poesia e história, logo no primeiro olhar do visitante. Ergue as cortinas num lance súbito, desafiando o expectador a um encontro. Seus becos, suas igrejas, seu mirante revelam-se beijos cálidos e úmidos, como as tardes de verão sob o sol poente.


A minha terra é um céu, se há um céu sobre a terra;
É um céu sob outro céu tão límpido e tão brando,
Que eterno sonho azul parece estar sonhando...
Sobre o vale natal que o seio à luz descerra...

Que encanto natural o seu aspecto encerra!
Junto à paisagem verde, a igreja branca, o bando
Das casas, que se vão, pouco a pouco, apagando
Com o nevoento perfil nostálgico da serra...

Com o seu povo feliz, que ri das próprias mágoas,
Entre os três rios, lembra uma ilha, alegre e linda,
A cidade sorrindo aos ósculos das águas.

Terra para se amar com o grande amor que eu tenho!
Terra onde tive o berço e de onde espero ainda
Sete palmos de gleba e os dois braços de um lenho.
Da Costa e Silva (1885-1950)

Um comentário:

  1. A Bodega do Camelo

    Obrigado pelo comentário ao artigo de Francisco da Cunha e Silva Filho, na verdade filho do velho Cunha e Silva, a quem sucedo na Cadeira 8, da Academia Piauiense de Letras. Com muita honra. Os dois, meus grandes amigos.
    Sou fâ de Amarante e há muito tempo escrevi este soneto com o mesmo título do de Da Costa Silva, justo na hora em que saía para essa linda cidade, onde ia fazer uma palestra sobre o Principe dos Poetas Piauienses.

    AMARANTE
    AMAR/ANTE

    Francisco Miguel de Moura*


    Amar/ante, amar hoje, amar depois,
    antiamar-te jamais - é amargante.
    Porque Deus, que é amor, de amor compôs
    o que foste e serás, bela Amarante.

    A terra e os céus instigam teu amante
    a viver longe e em solidão feroz,
    num turbilhão de imagens por instante:
    - “o velho monge”, o vento, o boi, a voz.

    Glória a ti, ao poeta e ao seu encanto
    terno-eterno, na carne e na saudade,
    qual mármore da dor e do seu pranto.

    Que o sentimento resplandeça em nós
    e soe na serra azul desta verdade:
    - Amar/ante, amar hoje, amar depois.

    _______________
    *Poeta brasileiro, mora em Teresina, mas nasceu em Picos, Piauí. Porém há pessoas que me perguntam se sou amarantino. E eu respondo que todo poeta do Piauí é amarantino, não poderia deixar de ser, pois Amarante, além de ser mui bela é a terra-berço do nosso Príncipe Da Costa e Silva.

    AMAR/ANTE

    Francisco Miguel de Moura*


    Amar/ante, amar hoje, amar depois,
    antiamar-te jamais - é amargante.
    Porque Deus, que é amor, de amor compôs
    o que foste e serás, bela Amarante.

    A terra e os céus instigam teu amante
    a viver longe e em solidão feroz,
    num turbilhão de imagens por instante:
    - “o velho monge”, o vento, o boi, a voz.

    Glória a ti, ao poeta e ao seu encanto
    terno-eterno, na carne e na saudade,
    qual mármore da dor e do seu pranto.

    Que o sentimento resplandeça em nós
    e soe na serra azul desta verdade:
    - Amar/ante, amar hoje, amar depois.

    _______________
    *Poeta brasileiro, mora em Teresina, mas nasceu em Picos, Piauí. Porém há pessoas que me perguntam se sou amarantino. E eu respondo que todo poeta do Piauí é amarantino, não poderia deixar de ser, pois Amarante, além de ser mui bela é a terra-berço do nosso Príncipe Da Costa e Silva.

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