20 de dezembro de 2011

É Natal!


Luzinhas de Natal piscando e “fantasmões”* enfeitados peculiarmente anunciam um fim de ano repleto de reticências. Grandes decisões pairando nas proximidades da minha vidinha “friamente calculada” deram a sacudida que faltava para tirar meus pés do lugar. O pulo discreto que tardou a acontecer acendeu uma faísca que despontou sorrateiramente, mas já fincou raízes. Mudança é a palavra de ordem, enquanto profiro algumas preces insensatas, esperando a incidência de um milagre. Mas milagres não costumam ser provocados, nem anunciam abertamente a chegada. O raio cai onde menos se espera! Bem, é Natal. A época não poderia ser mais propícia, mesmo fatigada por promessas lançadas a esmo. Todo ano é igual! Por isso é hora de mudar. O primeiro passo é começar uma reconciliação com o espelho; juntar os cacos de vidro e montar o quebra cabeças, até destruir a relação viciosa com os velhos paradigmas há muito tempo alimentados; dar conta das urgências; galgar patamares superiores; ter orgulho do que faço... Nos meus sonhos, eu me vejo como um cacique** desbravador de matas, descobrindo passo a passo uma Vila de São Gonçalo, anunciando batalhas contra as certezas absolutas grosseiramente impostas, e, quem sabe, enfrentar degraus e dragões, na esperança de tornar a vida mais amena, enquanto moinhos de vento continuam girando. No final, sem saber se é sonho ou realidade, quero encobrir altivamente a paisagem com minha carcaça***, sob o olhar atento das pipiras, como um prenúncio de que nada foi em vão.

* Nome dado jocosamente pela população teresinense às “árvores de Natal” distribuídas pela cidade.

** Referência ao Cacique Bruenque.

***Ver http://becodabolinagem.blogspot.com/2010/02/os-ossos-do-cacique.html

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