20 de novembro de 2010

Começos...

Por A. C. Nunes-Carvalho Foto - Amarante 1912: Acervo da Casa Oswaldo Cruz - FIOCRUZ

Amarante possui, na sua origem, a marca do comércio. As primeiras edificações foram construídas para servirem de base para acolher as expedições que transportavam mercadorias para abastecer as cidades.

A novidade introduzida pelos comerciantes fundadores da cidade fez com que a arquitetura local incorporasse elementos que uniam as funções de residência, comércio e rancho. Segundo Rannieri Pierotti*, "a residência apresenta fachada menor, geralmente voltada para os logradouros mais importantes; a loja se localiza sempre na esquina e se interliga internamente à residência; e o rancho destinado ao abrigo de feirantes e comerciantes do interior era formado por pequenos cômodos independentes do restante da casa, localizados geralmente nos becos, formando as porta-e-janela".

Na segunda metade do século XIX, Amarante era um dos principais centros comerciais do Piauí, localizada em um local estratégico, banhada pelos rios Mulato, Canindé e Parnaíba. Em decorrência disso, a organização do traçado urbano da cidade não girou em torno de uma Igreja, como ocorreu em grande parte das cidades antigas brasileiras, mas originou-se em torno da região que ligava o mercado público aos portos, sendo a Avenida Desembargador Amaral a principal via de ligação.

As primeiras residências foram construidas perto dos portos onde ocorriam as princiapis transações comerciais através do Rio Parnaíba. Os portos da Antônia Dorta e dos Quartéis localizavam-se na região que passou a ser denominada Vila Nova.



Fotos: acervo do Museu Odilon Nunes


* PIEROTTI, Rannieri Sousa. Zoneamento Urbano e Diretrizes para o Turismo Sustentável de Amarante-PI. Teresina: Instituto Camillo Filho, 2007.

5 de outubro de 2010

Um não-lugar para chamar de meu

Por A. C. Nunes-Carvalho

As cidades se reinventam com projetos arquitetônicos voluntariosos, que acompanham a rapidez e a diversidade dos acontecimentos modernos, subjugando "lugares de vida produzidos por uma história mais antiga e mais lenta"*.

No Piauí, o resultado mais significativo desta equação pode ser facilmente exemplificado pelo surgimento de imponentes construções, em detrimento da conservação do casario colonial das cidades históricas. Pululam progressos, desconcertando o estilo arquitetônico e transformando harmonia em ecletismo desmedido.

Aos olhos de um observador mais detalhista, tal configuração pareceria fora de contexto, alienada ou contraprodutiva, causando desconforto, ao invés de propiciar empatia, em decorrência da sobrecarga de informações visuais, caracterizando, assim, os não-lugares.

Emerge, então, a necessidade de resgatar as memórias: no mundo fragmentado, o derradeiro movimento de sobrevivência é retornar à tradição. O ambiente tornar-se-ia confiável e circunscrito, refletindo fielmente a identidade do povo que nele habita.

* AUGÉ, Marc. Não-Lugares: Introdução a uma antropologia da supermodernidade. Papirus: Campinas, 1994.


Pátio interno de um casarão colonial de Regeneração (PI), demolido em outubro de 2010 para a construção de uma loja de conveniência.

Interior do casarão colonial

Detalhe do mosaico que recobria o piso do casarão

1 de agosto de 2010

Ensaio Fotográfico - Amarante(PI)

Por A. C. Nunes-Carvalho

Algumas imagens... algumas palavras...

O Caminho das Pedras

Inocentes Segredos

A Brincadeira

Aprendendo a voar

Devoção

Tempo

Contemplação

Descanso Eterno

21 de julho de 2010

Circuito Turístico Vila de São Gonçalo

Por A. C. Nunes-Carvalho

A Nova Capital do Piauí

Na era colonial, a pretensão de transferir a sede do governo piauiense para as barras do Rio Parnaíba, já se fazia notória.

Quando José Idelfonso de Sousa Ramos assumiu a presidência da província, entre 1843 e 1844, aprovou a lei que designava a região de confluência do Rio Mulato com o Parnaíba, como a nova capital do Piauí, devendo chamar-se Regeneração. Entretanto, tal lei não chegou a ser executada.

Neste período, a região ainda denominava-se Vila de São Gonçalo, cujo porto veio a tornar-se a cidade de Amarante, tendo se desmembrado de seu antigo assento (onde hoje se encontra a cidade de Regeneração), em 1860.

Um Passeio através dos Becos

A beleza plástica de Amarante está presente em sua arquitetura e no traçado de suas ruas, similares ao estilo arquitetônico de Portugal, no século XIX.

A grande quantidade de becos estreitos, que restringem a passagem de automóveis, confere à cidade um ar bucólico, ideal para incitar a imaginação e provocar intensas manifestações artísticas e culturais.

Amarante é uma cidade para ser visitada calmamente e, ainda assim, seus segredos jamais serão revelados totalmente, obrigando o visitante a retornar e lançar novos olhares, redescobrindo a cidade a cada passo.

Olhares


O Céu conversa com a Igreja

Travessia

Pedra do Cometa

Pescaria

11 de julho de 2010

Súplica Piauiense*

Por A. C. Nunes-Carvalho

(Trajeto Teresina-Amarante. Ônibus lotado. Duas mulheres conversam enquanto terminam um lanche.)

Primeira mulher. (Limpando a boca com a manga do vestido, depois que acaba o lanche.) Muié, tu já acabou de comer esse negóçu?

Segunda mulher. Acabei, sim. Mas num sei onde jogar... aqui num tem lugar.

Primeira mulher. Dá aqui! (Arranca o lixo da mão da Segunda mulher). Ora, num tem lugar! (Desdenha.) É só jogar aqui. (E joga tudo pela janela.) A gente paga imposto é pra Prefeitura limpar a sujeira.

... E a viagem segue normalmente. O lixo também segue normalmente.


* Alusão à música Súplica Cearense, interpretada por Luiz Gonzaga.

23 de junho de 2010

Tradição



Reportagem exibida no Piaui TV 2° ed. TV Clube - Teresina
Reportagem: Renan Nunes
Imagens: Pedro Lima

5 de junho de 2010

Os Segredos de Quixote


Por A.C. Nunes-Carvalho

Afinal, quando essas aves deixarão seus pés saírem do chão? De pipiras a papagaios, todos escalpelados, em redomas invisíveis e intransponíveis! Cheios de uma lógica desgastada, vendida no varejo, em uma esquina qualquer, por algum descrente, desconhecedor da força destruidora da infeliz mercadoria.

Eu ainda quero ver uns meninos desafiando tardes, sob o sol amarantino, desmembrando obstáculos, até refazer um antigo trajeto, há muito tempo esquecido, quando o Morro de São Benedito transformava-se num “gigantesco tobogã”*, serpenteado por saudosas brincadeiras.

Hoje, os meninos já nascem adeptos do movimento anti-quixote, transformando dragões em moinhos de vento: estáticos, concretos e insustentáveis. Dificilmente veríamos novamente um quadro similar às repúblicas recifenses da primeira década do século XX, lotadas de piauienses, em plena profusão literária. Naquele tempo, a imaginação era tão profícua que permitia produções poéticas até mesmo em meio a um ataque de pragas, como pulgas. Da Costa e Silva, um dos estudantes, produzira estes versos:

“Deixai-me, pulgas, deixai-me,
Que já não tenho mais sangue
Ide pras barbas do Jaime
Embora o Jaime se zangue!”**

Um contemporâneo de Da Costa e Silva, Celso Pinheiro, também piauiense, já demonstrava, naquela época, o descontentamento dos visionários em relação à sociedade do seu tempo, adepta apenas das atitudes rotineiras. Tal postura minimizaria, anos mais tarde, o estranhamento em relação à sociedade atual, em nada diferente daquela. Os versos criados por Celso Pinheiro seriam proféticos, se também não expressassem a realidade do seu tempo:

“Nada sou, nada tenho, nada valho...
Acusam-me, entretanto, de preguiça,
Mostrando-me a legenda da cobiça
Na bandeira radiosa do trabalho!...

E eu que vibro dos céus o ardente malho
Na forja da beleza e da justiça,
Por que hei de ter assim a alma submissa,
Falho de glórias, de fortuna falho?!

Será possível que, pelo universo
Não seja mais um prêmio de conquista
O velho caso vínico do verso?

Que neste mundo trágico e medonho,
Não haja mais lugar para um artista,
O misterioso lázaro do sonho?!”**


Destituído de seu lugar ao sol, o artista perde o verbo, e cala-se na penumbra da rotina, inerte e morbidamente aceito pela sociedade.

* Expressão retirada de uma poesia de Luiz Mendes Ribeiro Gonçalves, em suas Trovas à Terra Distante, no livro Impressões e Perspectivas, citado por Nazi Castro: "Em Amarante é de graça/ Gigantesco tobogã/ Fica no morro da Praça/ Nunca deixa calça sã..." O "Escorrega" era uma brincadeira comum entre as crianças amarantinas, até a segunda metade do século XX. Do alto dos morros, as crianças escorregavam através de uma cama de folha de mufumbo (planta nativa da região). O Morro do Pontal também era utilizado para este fim lúdico.
** QUEIROZ, Teresinha. Os Literatos e a República: Clodoaldo Freitas, Higino Cunha e as tiranias do tempo. 2. ed. Teresina: Editora da UFPI; João Pessoa: Editora da UFPB: 1998. p. 96 e 156.

30 de maio de 2010

Divinas Imagens - Parte IV

Fotografias de Socorro Carvalho

O Divino Ilumina as Casas - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

O Divino Ilumina as Casas - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Mel da Serenata - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

A Cantoria Atravessa a Cidade - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Procissão Luminosa - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Procissão Luminosa - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Procissão Luminosa - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Procissão Luminosa - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Divino Esplendor - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Cortejo - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Igreja - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Igreja - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

27 de maio de 2010

Divinas Imagens - Parte III

Fotografias de Clidenor Paz

Monumento ao Divino Espírito Santo, em concreto armado, com 5m de altura, criado por Edmundo Barroso. Construído através de doações de integrantes de pastorais da Paróquia de São Gonçalo, de Amarante(PI)
Visão Noturna

Saída do Cortejo Imperial, no bairro Vila Nova - Festa do Divino 2010

Meninas Concentradas - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

Divino Sobre os Ombros - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

Temor de Deus - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

As Flores Acolhem o Divino - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

Divino em Cores - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

O Céu e o Divino - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

Sob o Sol de Amarante - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

Igreja Emoldurada - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

Divino Anoitecer - Festa do Divino 2010 - Amarante(PI)

Divinas Imagens - Parte II

Fotografias de Sérgio Barroso

Procissão Luminosa, saindo da residência de D. Mary Vieira (Av. Des. Amaral)


Procissão Luminosa, saindo da residência de D. Mary Vieira (Av. Des. Amaral)


Procissão Luminosa, saindo da residência de D. Mary Vieira (Av. Des. Amaral)


Procissão Luminosa, saindo da residência de D. Mary Vieira (Av. Des. Amaral)

- Festa do Divino - Amarante (PI)/2010

Oração do Pe. Neto - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

A Bandeira - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

26 de maio de 2010

Divinas Imagens - Parte I

Fotografias de A.C. Nunes-Carvalho

Descanso das Meninas - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Divino na Rua Da Costa e Silva - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

Um Olhar Altivo - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

O Cortejo Imperial - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

A Igreja Aguarda o Cortejo - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

O Cortejo Segue em Frente - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

O Divino Pede Passagem - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010

O Divino Pede Passagem II - Festa do Divino - Amarante(PI)/2010